Autor: The Lausanne Movement
Data: 24.10.2010
Category: Parceria
Cópia Prévia da Minuta –Apenas Parte 1
O Compromisso da Cidade do Cabo consiste de duas partes. A Parte 1 é “O Que Cremos” e foi organizada por um grupo de teólogos de todo o mundo. A parte 2 está prevista para ser finalizada até dezembro. Será um chamado à ação, resultante da análise da discussão no Congresso.
Compromisso da Cidade do Cabo
INTRODUÇÃO
Como membros da igreja mundial de Jesus Cristo, com alegria firmamos nosso compromisso com o Deus vivo e com os Seus propósitos de salvação através do Senhor Jesus Cristo. Por Ele renovamos nosso compromisso com a visão e os objetivos do Movimento Lausanne.
Isto envolve dois pontos:
Primeiro: mantemos nosso compromisso com a tarefa de testemunhar de Jesus Cristo e dos seus ensinamentos em todo o mundo. O Primeiro Congresso Lausanne (1974) foi realizado visando à tarefa da evangelização mundial. Alguns dos principais benefícios deste congresso para a Igreja mundial foram: O Pacto de Lausanne; uma nova consciência do número de grupos de povos não alcançados; e uma nova descoberta da natureza holística do evangelho bíblico e da missão cristã. O Segundo Congresso Lausanne, em Manila (1989), deu origem a mais de 300 parcerias na evangelização mundial, muitas das quais envolveram co-operação entre nações de todas as partes do globo.
Segundo: mantemos nosso compromisso com os principais documentos do Movimento – O Pacto de Lausanne (1974) e O Manifesto de Manila (1989). Estes documentos expressam de maneira clara verdades básicas do evangelho bíblico e as aplicam à nossa missão prática de formas ainda relevantes e desafiadoras. Confessamos que não temos sido fiéis aos compromissos assumidos com esses documentos. Mas nós os reafirmamos e os legitimamos, ao mesmo tempo em que procuramos discernir como expressar e aplicar a verdade eterna do evangelho no mundo da nossa geração, mundo este em constante mudança.
Praticamente todos os aspectos referentes à maneira como vivemos, pensamos e nos relacionamos uns com os outros estão se transformando em ritmo acelerado. Positivo ou negativo, sentimos o impacto da globalização, da revolução digital e da alteração no equilíbrio do poder econômico e político do mundo. Algumas situações que enfrentamos nos trazem tristeza e ansiedade: a pobreza global, a guerra, a doença, a crise do meio ambiente e a mudança climática. Mas uma grande mudança em nosso mundo é motivo de alegria: o crescimento da igreja global de Cristo.
O fato de o Terceiro Congresso Lausanne ser realizado na África é prova disto. Pelo menos três quartos de todos os cristãos do mundo vivem hoje em continentes do sul e leste do globo. A composição de nosso Congresso Cape Town 2010 reflete a significativa transição ocorrida no mundo cristão durante o último século, desde a Conferência Missionária de Edimburgo em 1910. Alegramos-nos com o incrível crescimento da igreja na África e com o fato de que nossos irmãos e irmãs em Cristo, africanos sejam os anfitriões deste Congresso.
Devemos responder às realidades de nossa própria geração através da missão cristã. Devemos também aprender com a combinação entre sabedoria e erros que herdamos das gerações anteriores. Nós honramos o passado e nos engajamos com o futuro.
Mas em nosso mundo em constante mudança algumas coisas se mantêm inalteradas. Estas importantes verdades oferecem a lógica bíblica para nosso engajamento missional.
Esta Declaração foi firmada na linguagem do amor. O amor é a linguagem da aliança. As alianças bíblicas, antigas e novas, são a expressão do amor redentor de Deus e da graça que alcança a humanidade perdida e a criação deteriorada. Em troca, elas pedem o nosso amor. O nosso amor se manifesta através da confiança, obediência e do compromisso apaixonado com a aliança do Senhor. O Pacto de Lausanne definiu a evangelização desta forma “toda a igreja levando todo o Evangelho para todo o mundo”. Esta continua sendo nossa paixão. Por isso, renovamos esta aliança reafirmando:
Mantendo firme este amor de três dobras, renovamos nosso compromisso de ser toda a igreja, de crer, obedecer e partilhar todo o Evangelho, e de ir por todo o mundo para fazer discípulos de todas as nações
PRIMEIRA PARTE
Para o Senhor Que Amamos: Nosso Compromisso de Fé
A missão de Deus flui do amor de Deus. A missão do povo de Deus flui do nosso amor a Deus e a tudo que Deus ama. A evangelização mundial é o fluir do amor de Deus para nós e através de nós. Nós afirmamos a primazia da graça de Deus e respondemos a esta graça pela fé, demonstrada através da obediência em amor. Nós amamos porque Deus nos amou primeiro e enviou Seu Filho para ser propiciação pelos nossos pecados. [1]
a) O amor a Deus e o amor ao próximo constitui o primeiro e maior mandamento no qual residem toda a lei e os profetas. O amor é o cumprimento da lei, é o primeiro fruto do Espírito mencionado. O amor é a evidência do novo nascimento, a certeza de que conhecemos a Deus; e a prova de que Deus habita em nós. O amor é o novo mandamento de Cristo, o qual disse aos Seus discípulos que somente ao obedecerem este mandamento, a missão deles seria visível e crível. O amor cristão de um para com os outros é como o Deus invisível, o qual Se fez visível através do Seu Filho encarnado, continua fazendo-se visível ao mundo. O amor estava entre as primeiras observações e recomendações de Paulo para os novos convertidos, acompanhado da fé e da esperança. Mas o amor é o maior, pois o amor nunca acaba. [2]
b) Tal amor não é fraco nem sentimental. O amor do próprio Deus é um amor de aliança fiel, comprometido, que se doa, é sacrificial, forte e santo. Como Deus é amor, o amor permeia todo o seu ser e todas suas ações, sua justiça bem como sua compaixão. O amor de Deus se estende para toda Sua criação. Temos o mandamento para amar de modo a refletir o amor de Deus em todas estas dimensões. É isto que significa andar no caminho do Senhor. [3]
c) Portanto, ao firmamos nossas convicções e nosso compromisso em termos de amor, estamos assumindo o desafio mais básico e difícil de todos os desafios bíblicos:
d) Tal amor é o dom de Deus derramado em nossos corações, e ao mesmo tempo é o mandamento de Deus que requer rendição de nossa vontade. Tal amor significa ser como o próprio Cristo: firme na perseverança mas gentil na humildade; duro na resistência ao mal mas terno na compaixão pelo sofredor; corajoso no sofrimento e fiel até a morte. Tal amor foi exemplificado por Cristo na terra e é monitorado pelo Cristo ressurreto em glória. [5]
Afirmamos que este amor bíblico tão abrangente deve ser a identidade nítida e a marca dos discípulos de Jesus. Em resposta à oração e ao mandamento de Jesus, esperamos que seja assim conosco. Infelizmente, confessamos que com frequência não o é. Por isso, renovamos nosso compromisso de aplicar todo o nosso esforço para viver, pensar, falar e agir de maneira que expressemos o que significa andar em amor, amar a Deus, amar uns aos outros e amar o mundo.
O nosso Deus, a quem amamos, revela-se na Bíblia como o único Deus vivo e eterno, que governa todas as coisas de acordo com sua soberana vontade, visando o seu propósito salvador. Na unidade do Pai, Filho e Espírito Santo, somente Deus é o Criador, Soberano, Juiz e Salvador do mundo [6]. Por isso, amamos nosso Deus com alegres ações de graças pelo nosso lugar na criação, em submissão à sua soberana providência, com confiança na sua justiça e com louvores eternos pela salvação que ele conquistou para nós.
a) Nós amamos a Deus acima de todos os rivais. Recebemos o mandamento de amar e adorar somente ao Deus vivo. Mas, assim como fez Israel no Novo Testamento, permitimos que nosso amor a Deus seja adulterado ao buscarmos os deuses deste mundo, os deuses dos povos que estão ao nosso redor[7]. Caímos no sincretismo, seduzidos pelos ídolos da ganância, do poder e do sucesso, servindo a mamon em lugar de servir a Deus. Aceitamos o domínio de ideologias políticas e econômicas sem uma visão bíblica crítica. Somos tentados a fazer concessões à nossa convicção da singularidade de Cristo diante da pressão do pluralismo religioso. Como Israel, precisamos ouvir o chamado dos profetas e do próprio Jesus ao arrependimento e abandonar estes rivais e retornar ao amor obediente e à adoração unicamente a Deus.
b) Nós amamos a Deus com paixão pela sua glória. A maior motivação para cumprirmos a nossa missão é a mesma que impulsiona a missão do próprio Deus – que o único Deus vivo seja conhecido e glorificado por toda criação. Este é o objetivo principal de Deus e deve ser a nossa maior alegria.
“Se Deus deseja que todo joelho se dobre a Jesus e que toda língua o confesse, então é isto o que devemos fazer. Devemos ter “ciúmes”, como vemos às vezes nas Escrituras, pela honra do seu nome, nos perturbar se ele permanece desconhecido, sentir-nos feridos se for ignorado, indignados se for blasfemado e estar constantemente ansiosos e determinados a que lhe sejam dadas honra e glória que lhe são devidas. O mais elevado de todos os motivos missionários não é a obediência à Grande Comissão, mesmo importante como é, nem o amor pelos pecadores que estão alienados e perecendo (mesmo que este seja um incentivo muito forte, principalmente quando contemplamos a ira de Deus), mas o zelo verdadeiro, zelo apaixonado e consumidor pela glória de Jesus Cristo … Diante deste supremo objetivo da missão cristã, todas as outras motivações indignas definham e morrem.”[8] John Stott
O motivo da nossa maior tristeza deve ser porque em nosso mundo o Deus vivo não é glorificado. O Deus vivo é negado por um ateísmo agressivo. O único Deus verdadeiro é substituído ou distorcido em práticas de religiões mundanas. Nosso Senhor Jesus Cristo é agredido e mal representado em algumas culturas populares. E a face do Deus da revelação bíblica é obscurecida pelo nominalismo, pelo sincretismo e pela hipocrisia cristãos.
Amar a Deus em meio a um mundo que o rejeita e o distorce, exige testemunho de Deus que seja ousado e humilde; defesa firme, mas graciosa da verdade do Evangelho de Cristo, o Filho de Deus, e confiança pela oração na obra salvadora e convincente do Seu Espírito Santo. Firmamos nosso compromisso de dar este testemunho, pois se declaramos amar a Deus, devemos partilhar a principal prioridade de Deus, qual seja, que o Seu nome e Sua Palavra sejam exaltados acima de todas as coisas[9].
Através de Jesus Cristo, o Filho de Deus, - e somente através dele, como o caminho, a verdade e a vida – podemos conhecer e amar Deus como Pai. À medida que o Espírito Santo testifica com nosso espírito que somos filhos de Deus, clamamos as palavras que Jesus orou “Aba Pai”, e oramos a oração que Jesus ensinou, “Pai Nosso”. Nosso amor por Jesus, provado pela obediência a Ele, une-se ao amor do Pai por nós, uma vez que o Pai e o Filho fazem morada em nós, em uma relação mútua de dar e receber amor.[10]. Esta íntima relação possui profundo embasamento bíblico.
a) Nós amamos a Deus como o Pai do seu povo. O Israel do Antigo Testamento conhecia a Deus como Pai, como aquele que os havia trazido à existência, que os tinha guiado e disciplinado, chamado à sua obediência, ansiado pelo seu amor e exercido perdão compassivo e amor paciente e duradouro[11]. Todas essas coisas permanecem verdadeiras para nós, povo de Deus em Cristo, em nosso relacionamento com nosso Deus Pai.
b) Nós amamos a Deus como o Pai, que tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito para nossa salvação. Como é maravilhoso o amor do Pai por nós, a ponto de sermos chamados filhos de Deus. Que imensurável o amor do Pai que não poupou seu único Filho, mas o entregou por todos nós. Este amor do Pai em dar o Filho foi espelhado no amor do Filho que Se entregou. Houve completa harmonia no propósito da obra de expiação que o Pai e o Filho realizaram na cruz, através do Espírito eterno. O Pai amou o mundo e deu seu Filho; “o Filho de Deus me amou e entregou-se por mim”. Esta unidade do Pai e do Filho, assim declarada pelo próprio Jesus, ecoa nas mais repetidas saudações de Paulo, “graça e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo, que se entregou pelos nossos pecados... de acordo com a vontade do nosso Deus e Pai, a quem seja a glória para sempre e sempre. Amém”. [12]
c) Nós amamos a Deus como o Pai, cujo caráter refletimos e em cujo cuidado confiamos. No Sermão do Monte, repetidas vezes, Jesus aponta nosso Pai do Céu como o modelo ou foco de nossas ações. Devemos ser pacificadores, como filhos de Deus. Devemos praticar boas obras, para que nosso Pai receba o louvor. Devemos amar nossos inimigos refletindo o amor do nosso Deus Pai. Devemos fazer nossas doações, orar e jejuar diante do nosso Pai somente. Devemos perdoar aos outros como nosso Pai nos perdoa. Não devemos ser ansiosos mas confiar na provisão do nosso Pai. Com tal comportamento fluindo do caráter cristão, realmente faremos a vontade do nosso Pai no céu, dentro do reino de Deus.[13]
Confessamos que com frequência negligenciamos a verdade da Paternidade de Deus e nos privamos das riquezas de um relacionamento com Ele. Renovamos nosso compromisso de ir ao Pai através de Jesus, o Filho, para receber e responder ao seu amor paternal; viver em obediência sob a disciplina do Pai; refletir seu caráter de Pai em todo nosso comportamento e em todas nossas atitudes; e confiar na sua provisão de Pai em qualquer circunstância que Ele nos levar a viver.
Deus ordenou a Israel que amasse o SENHOR Deus com lealdade exclusiva. Da mesma forma, amar ao Senhor Jesus Cristo significa que afirmamos firmemente que somente Ele é Salvador, Senhor e Deus. A Bíblia ensina que Jesus opera as mesmas obras soberanas que o próprio Deus. Cristo é o Criador do universo. Soberano da história, Juiz de todas as nações e Salvador de todos os que se voltam para Deus[14]. Ele partilha a identidade de Deus em igualdade divina e na unidade do Pai, Filho e Espírito Santo. Assim como Deus chamou Israel para amá-lo em fé pactual, obediência e testemunho de servo, afirmamos nosso amor por Jesus Cristo confiando nele, obedecendo-o e fazendo-o conhecido.
a) Nós confiamos em Cristo. Cremos no testemunho dos Evangelhos, que Jesus de Nazaré é o Messias, escolhido e enviado de Deus para cumprir a missão singular do Israel do Antigo Testamento, qual seja, trazer a bênção da salvação de Deus para todas as nações, como Deus prometeu a Abraão.
b) Nós obedecemos a Cristo. Jesus nos chama para o discipulado, para tomarmos nossa cruz e segui-lo no caminho da abnegação, servidão e obediência. “Se me amam, obedecerão aos meus mandamentos”, Ele disse. “Por que me chamam Senhor, Senhor e não fazem o que eu digo?”. Somos chamados para viver como Cristo viveu e para amar como Cristo amou. Confessar a Cristo e ao mesmo tempo ignorar os seus mandamento é uma insensatez perigosa. Jesus alerta que muitos que usam o seu nome em ministérios miraculosos e espetaculares serão considerados por Ele como malfeitores [15]. Nós atentamos ao alerta de Cristo, porque nenhum de nós está imune a este temível perigo.
c) Nós proclamamos Cristo. Somente em Cristo Deus se revelou de maneira completa e definitiva, e somente através de Cristo, Deus conclui a salvação para o mundo. Portanto, nos ajoelhamos aos pés de Jesus de Nazaré e, como Pedro, lhe dizemos: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”, e como Tomé, “Senhor meu, Deus meu!”. Apesar não o termos visto, nós o amamos. E nos alegramos com esperança, aguardando pelo dia da sua volta, quando o veremos como Ele é. Até este dia, nos unimos a Pedro e João proclamando que: “Não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” [16].
Nós renovamos nosso compromisso de dar testemunho de Jesus Cristo e de todo o seu ensinamento, em todo o mundo, cientes que somente podemos dar tal testemunho se nós mesmos vivermos em obediência ao seu ensinamento.
Nós amamos o Espírito Santo na unidade da Trindade, com Deus o Pai que o envia e com Jesus Cristo de quem Ele dá testemunho. Ele é o Espírito missionário do Pai missionário e o do Filho missionário, soprando vida e poder na igreja missionária de Deus. Nós amamos e oramos pela presença do Espírito Santo porque sem o testemunho do Espírito de Cristo nosso testemunho é inútil. Sem a obra de convencimento do Espírito Santo, nossa pregação é em vão. Sem o poder do Espírito, nossa missão é mero esforço humano. E sem o fruto do Espírito, nossas vidas sem brilho não podem refletir a beleza do Evangelho.
a) No Antigo Testamento vemos o Espírito de Deus ativo na criação, em obras de libertação e de justiça, enchendo e capacitando o povo para todo tipo de serviço. Os profetas cheios do Espírito ansiavam pela vinda do rei e servo que estava por vir, cuja Pessoa e obra seriam capacitadas pelo Espírito de Deus, e pela era vindoura que seria marcada pelo derramamento do Seu Espírito, trazendo nova vida e obediência renovada para o povo de Deus[17].
b) No Pentecoste, Deus derramou o seu Espírito Santo como havia prometido através dos profetas e de Jesus. O Espírito santificador produz Seus frutos na vida dos crentes, e o primeiro fruto é sempre o amor. O Espírito enche a igreja com seus dons e com poder para missões e para a grande variedade de serviços. O Espírito nos capacita para proclamar e apresentar o Evangelho, para discernir a verdade, para orar com eficácia e para prevalecer sobre as forças das trevas. O Espírito fortalece e consola os discípulos que são perseguidos ou que estão em tribulação por causa do seu de Cristo.[18]
c) Nosso engajamento em missões, portanto, perde o objetivo e se torna infrutífero se não houver a presença e o poder do Espírito Santo. Isto é verdade para missões em todas as áreas: evangelismo, testemunho da verdade, discipulado, promoção da paz, envolvimento social, transformação ética, preservação da criação, vitória sobre poderes do mal, expulsão de espíritos demoníacos, cura de pessoas doentes, em sofrimento e passando por perseguição. Tudo o que fazemos em nome de Cristo deve ser capacitado pelo Espírito Santo. O Novo Testamento deixa isto claro através da igreja primitiva e do ensinamento dos apóstolos. Hoje, vemos isto demonstrado através dos frutos e do crescimento das igrejas, cujos seguidores de Jesus atuam confiantemente, na dependência e expectativa do poder do Espírito Santo.
Não existe Evangelho verdadeiro nem completo, e nem missão bíblica autêntica sem a Pessoa, a obra e o poder do Espírito Santo. Oramos por um despertamento maior para esta verdade bíblica e para que isto se torne realidade em todo o corpo de Cristo em todo o mundo. Entretanto, temos consciência dos muitos abusos disfarçados com o nome do Espírito Santo, das várias formas nas quais todos os tipos de fenômenos são praticados e enaltecidos, como vemos exemplificado no Novo Testamento, que carregam as marcas de outros espíritos, não do Espírito Santo. Há grande necessidade de um discernimento mais profundo, de alertas claros contra enganos, da exposição dos fraudulentos manipuladores a seu próprio serviço, que usam poder espiritual de forma abusiva para seu próprio enriquecimento. Acima de tudo, há uma grande necessidade de ensinamento bíblico consistente e de pregação inundada por oração humilde, que capacite crentes comuns a entender e se alegrar no verdadeiro Evangelho e a reconhecer e rejeitar os falsos evangelhos.
Nós amamos a palavra de Deus nas Escrituras do Novo e do Antigo Testamento, ecoando o canto alegre do salmista no Torá: "Eu amo os teus mandamentos mais do que o ouro...Como amo a Tua lei!”. Recebemos toda a Bíblia como a Palavra de Deus, inspirada pelo Espírito de Deus, falada e escrita através de autores humanos. Submetemo-nos a ela como autoridade única e suprema, que governa nossa fé e nosso comportamento. Testificamos do poder da Palavra de Deus para cumprir o seu propósito de salvação. Afirmamos que a Bíblia é a palavra final escrita de Deus, que nenhuma outra revelação pode superá-la, e também nos alegramos porque o Espírito Santo ilumina as mentes do povo de Deus para que a Bíblia continue a falar a verdade de Deus de maneira nova em todas as culturas. [19]
a) A Pessoa que a Bíblia revela. Amamos a Bíblia como uma noiva ama as cartas do seu noivo, não pelo papel propriamente dito, mas pela pessoa que fala através delas. A Bíblia nos oferece a revelação do próprio Deus, da Sua identidade, do Seu caráter, dos Seus propósitos e das Suas ações. Ela é a principal testemunha do Senhor Jesus Cristo. Lendo-a, encontramo-nos alegremente com ele, através do Espírito. Nosso amor pela Bíblia é uma expressão do amor a Deus.
b) A história que a Bíblia conta. A Bíblia conta a história universal da criação, queda, redenção na história e nova criação. Esta narrativa abrangente permite que tenhamos uma visão de mundo coerente e bíblica e molda nossa teologia. No centro desta historia estão os eventos culminantes da salvação, a cruz e a salvação de Cristo, que constituem o coração do Evangelho. É esta história, no Novo e no Antigo Testamentos, que contam quem somos, por qual razão estamos aqui e para onde caminhamos. Esta história da missão de Deus define nossa identidade, impulsiona nossa missão e garante que o fim está nas mãos de Deus. Esta história deve dar forma à memória e à esperança do povo de Deus e governar o conteúdo do seu testemunho evangelístico, ao ser passado de geração a geração. Devemos usar todos os meios possíveis para tornar a Bíblia conhecida, pois sua mensagem é para todos os povos da terra. Portanto, reafirmamos nos compromisso com esta tarefa contínua de traduzir, disseminar e ensinar as Escrituras a todas as culturas e línguas, incluindo aquelas que são predominantemente orais ou não-literárias.
c) A verdade que a Bíblia ensina. Toda a Bíblia nos ensina todo o conselho de Deus, a verdade que Deus quer que saibamos. Submetemo-nos à Bíblia como verdadeira e confiável em tudo o que declara, pois é a Palavra do Deus que não mente e não erra. Ela é clara e suficiente para revelar o caminho da salvação. É o fundamento para explorar e entender todas as dimensões da verdade de Deus.
Entretanto, vivemos em um mundo cheio de mentiras e de rejeição da verdade. Muitas culturas exibem um relativismo dominante, que nega que qualquer verdade absoluta exista ou possa ser conhecida. Se amamos a Bíblia, então, devemos nos levantar em defesa das verdades que ela declara. Devemos encontrar novas formas de articular a autoridade bíblica em todas as culturas. Nós reafirmamos nosso compromisso de batalhar pela verdade da revelação de Deus como parte do nosso trabalho de amor pela Palavra de Deus.
d) A vida que a Bíblia requer. “A palavra está bem próxima de vocês; está em sua boca e em seu coração; por isso vocês poderão obedecer-lhe”. Jesus e Tiago nos chamam para ser praticantes da Palavra e não somente ouvintes[20]. A Bíblia retrata uma qualidade de vida que deveria marcar o crente e as comunidades dos crentes. Desde Abraão até Moisés, com os salmistas, profetas e com a sabedoria de Israel, de Jesus aos apóstolos, aprendemos que tal estilo de vida bíblico inclui justiça, compaixão, humildade, integridade, honestidade, confiabilidade, pureza sexual, generosidade, bondade, autonegação, hospitalidade, promoção da paz, não-retaliação, fazer o bem, perdão, alegria, contentamento e amor – todas essas coisas combinando em vidas de adoração, louvor e fidelidade a Deus.
Nós confessamos que facilmente declaramos amar a Bíblia sem amar a vida que ela ensina: vida prática e difícil de obediência a Deus através de Cristo. E mais, “nada divulga melhor o Evangelho do que uma vida transformada, e nada traz mais descrédito do que a inconsistência pessoal. Temos sobre nós a cobrança de um comportamento digno do Evangelho de Cristo e que o “adorne”, enriquecendo sua beleza com vidas santas” [21]. Portanto, por causa do Evangelho de Cristo, reafirmamos nosso compromisso de provar nosso amor pela Palavra de Deus crendo nela e lhe obedecendo. Não existe missão bíblica sem vida bíblica.
Partilhamos a paixão de Deus pelo seu mundo, amando tudo o que Deus fez, nos alegrando com a providência e a justiça de Deus através da sua criação, proclamando as boas novas a toda criação e a todas as nações, aguardando pelo dia quando a terra será cheia do conhecimento da glória de Deus como as águas cobrem o mar[22].
a) Nós amamos o mundo criado por Deus. Este amor não é um simples sentimento afetivo pela natureza, o qual a Bíblia não ordena que tenhamos, muito menos é uma adoração panteísta da natureza, o que a Bíblia condena explicitamente. Antes é a prática lógica do nosso amor a Deus manifestado em cuidado pelo que pertence a ele. “Do Senhor é a terra e tudo o que nela existe”. A terra é propriedade do Deus a quem declaramos amar e obedecer. A terra é importante para nós simplesmente porque pertence a quem chamamos de Senhor[23].
A terra é criada, sustentada e redimida por Cristo[24]. Não podemos alegar que amamos a Deus se fazemos mau uso do que pertence a Cristo por direito de criação, de redenção e de herança. A terra é importante para nós, não como no raciocínio do mundo secular, mas por causa do Senhor. Se Jesus é Senhor de toda a terra, não podemos separar nosso relacionamento com Cristo da maneira como agimos em relação à terra. Porque proclamar o evangelho que diz “Jesus é Senhor” é proclamar o Evangelho que inclui a terra, uma vez que o Senhorio de Cristo está sobre toda a criação. O cuidado com a criação é, portanto, uma questão do evangelho no contexto do Senhorio de Cristo.
Tal amor pela criação de Deus exige que nos arrependamos de nossa participação na destruíção, desperdício e poluição dos recursos da terra e da nossa conivência com idolatria tóxica do consumismo. Em vez disso, firmamos nosso compromisso de responsabilidade ambiental urgente e profética e de apoiar cristãos cujo chamado missional pessoal seja defesa e ação em favor do meio ambiente. Lembramo-nos de que a Bíblia declara o propósito redentor de Deus para a criação propriamente dita. Missão integral significa discernir, proclamar e viver a verdade bíblica de que o Evangelho é a boa nova de Deus, através da cruz e ressurreição de Jesus Cristo, para indivíduos e para a sociedade, e para a criação. Estes três estão sofrendo e feridos por causa do pecado, os três estão incluídos no amor redentor e na missão de Deus; os três devem fazer parte da missão abrangente do povo de Deus.
b) Nós amamos o mundo das nações e das culturas. “De um homem, Deus fez todas as nações da humanidade, para viverem sobre a face da terra”. A diversidade étnica é dom de Deus na criação e será preservada na nova criação, quando será libertada das rivalidades e divisões. Nosso amor por todos os povos reflete a promessa de Deus de abençoar todas as nações da terra e a missão de Deus de criar para si um povo vindo de toda tribo, língua e nação. Devemos amar tudo o que Deus escolheu abençoar, e isto inclui todas as culturas. Historicamente, a missão cristã tem sido atuante na proteção e preservação de culturas nativas e suas línguas. Entretanto, o amor de Deus também inclui discernimento crítico por todas as culturas e evidencia não apenas as características positivas da imagem de Deus nas vidas humanas, mas também as impressões negativas de Satanás e do pecado. Aguardamos pelo dia quando veremos o Evangelho incorporado e internalizado em todas as culturas, redimindo-as de dentro para fora, para que elas exibam a glória de Deus e a plenitude radiante de Cristo. Aguardamos ansiosos pela riqueza, pela glória e pelo esplendor de todas as culturas trazidas para a cidade de Deus, redimidas e purificadas do pecado, enriquecendo a nova criação[25].
Tal amor por todos os povos exige que rejeitemos os males do racismo e do etnocentrismo, e que tratemos todas as etnias e grupos culturais com dignidade e respeito, tendo como base o seu valor para Deus na criação e na redenção[26].
Tal amor exige também que façamos o Evangelho conhecido entre todos os povos e culturas em todo lugar. Nenhuma nação, judia e gentia está fora do escopo da Grande Comissão. O Evangelismo flui dos corações cheios do amor de Deus por aqueles que ainda não O conhecem. Envergonhados, confessamos que existem muitos povos no mundo que ainda não ouviram a mensagem do amor de Deus em Jesus Cristo. Renovamos nosso compromisso, inspirado desde o seu início pelo Movimento Lausanne, de usar todos os meios possíveis para alcançar todos os povos com o Evangelho.
c) Nós amamos os pobres e os sofridos do mundo. A Bíblia afirma que o Senhor ama tudo o que criou, defende a causa do oprimido, ama o estrangeiro, alimenta o faminto, sustenta o orfão e a viúva[27]. A Bíblia também afirma que Deus deseja fazer estas coisas através de seres humanos comprometidos com tais ações. Deus tem como responsáveis principalmente os que exercem liderança política ou jurídica na sociedade[28], mas todo o povo de Deus, de acordo com a Lei e os Profetas, os Salmos e a Sabedoria, Jesus e Paulo, Tiago e João, deve refletir o amor e a justiça de Deus através de amor prático e de justiça para o necessitado[29].
Tal amor pelo pobre exige não apenas amor, misericórdia e atos de compaixão, mas também que façamos justiça através da exposição e oposição de tudo o que oprime e explora o pobre. “Não devemos ter medo de denunciar o mal e a injustiça onde quer que existam” [30]. Envergonhados, confessamos que nesta questão não temos partilhado da paixão de Deus, não temos incorporado o amor de Deus, não temos refletido o caráter de Deus e não temos feito a vontade de Deus. Novamente nos oferecemos para a promoção da justiça, solidariedade e da defesa do marginalizado e oprimido. Temos consciência da luta que se trava contra o mal nas dimensões espirituais, a qual só pode ser guerreada com a vitória da cruz e a da ressurreição, no poder do Espírito Santo e em constante oração.
d) Nós amamos nosso próximo como a nós mesmos. Jesus convocou Seus discípulos a obedecerem este mandamento como o segundo mais importante da lei, mas a seguir, no mesmo capítulo, ele aprofundou radicalmente este mandamento, de “amem o seu próximo” para “amem seus inimigo” [31].
Tal amor pelo nosso próximo exige de nós uma respostas para todas as pessoas, uma resposta que venha do coração do Evangelho, em obediência ao mandamento de Cristo, seguindo o Seu exemplo. Este amor ao próximo envolve pessoas de outras crenças e se estende para aqueles que nos odeiam, difamam, perseguem e até matam. Jesus nos ensina a responder à mentira com a verdade, aos malfeitores com atos de bondade, misericórdia e perdão, à violência e morte dos Seus discípulos com sacrifício próprio, a fim de atrair pessoas a ele e quebrar a cadeia do mal. Rejeitamos com veemência a violência na propagação do Evangelho e renunciamos à tentação de retaliação e à vingança contra os que nos fazem mal. A desobediência destes princípios é incompatível com o exemplo e o ensinamento de Cristo e do Novo Testamento[32]. Ao mesmo tempo, nosso dever de amor para com o próximo sofredor requer que busquemos a justiça em favor deles apelando para as autoridades legais e de Estado, que são servos de Deus para punição dos malfeitores[33].
e) O mundo que não amamos. O mundo da boa criação de Deus tornou-se o mundo da rebelião humana e satânica contra Deus. O mandamento que recebemos é para que não amemos este mundo de desejo, ganância e orgulho pecaminosos. Com tristeza confessamos que são exatamente estas marcas mundanas que com frequência distorcem nossa presença cristã e negam nosso testemunho do Evangelho[34].
Renovamos nosso compromisso de não flertar com o mundo caído nem com suas paixões transitórias, mas amar todo o mundo como Deus o ama. Assim, amamos o mundo esperando em santidade pela redenção e renovação em Cristo de toda a criação e culturas, pelo encontro do povo de Deus de todas as nações, até dos confins da terra, e o fim de toda destruição, pobreza e inimizade.
Como discípulos de Jesus, somos povo do Evangelho. A essência da nossa identidade é nossa paixão pelas boas novas bíblicas da obra salvadora de Deus através de Jesus Cristo. Somos unidos pela nossa experiência com a graça de Deus no Evangelho e pela nossa motivação em fazer este Evangelho da graça conhecido até os confins da terra, usando para isto todos os meios possíveis.
a) Nós amamos as boas novas em um mundo de más notícias. O Evangelho enfoca os efeitos calamitosos do pecado, da queda e da necessidade do ser humano. O ser humano rebelou-se contra Deus, rejeitou a autoridade de Deus e desobedeceu a Palavra de Deus. Neste estado de pecado, estamos alienados de Deus, uns dos outros e da ordem criada. O pecado merece a condenação de Deus. Os que se recusam a arrepender-se e não “obedecem ao Evangelho do nosso Senhor Jesus Cristo serão punidos com destruição e separação eterna da presença de Deus” [35]. Os efeitos do pecado e do poder do mal têm corrompido cada aspecto da vida humana, espiritual, físico, intelectual e relacional. Eles permeiam a vida cultural, econômica, social, política e religiosa de todas as culturas e gerações da história. Eles têm causado miséria incalculável para a raça humana e danos à criação de Deus. Neste quadro sombrio, o Evangelho bíblico é verdadeiramente boa nova.
b) Nós amamos a história que o Evangelho conta. O Evangelho conta as boas novas dos eventos históricos da vida, morte e ressurreição de Jesus de Nazaré. Como filho de Davi, o prometido Rei Messias, Jesus é Aquele através de quem Deus estabeleceu o Seu reino e promoveu a salvação do mundo, tornando abençoadas todas as nações da terra, como havia prometido a Abraão. Paulo define assim o Evangelho: “Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou no terceiro dia, segundo as Escrituras, e apareceu a Pedro e depois aos Doze”. O Evangelho declara que na cruz de Cristo, Deus tomou sobre Si, na pessoa do Seu Filho e em nosso lugar, o julgamento que merecemos pelos nossos pecados. Neste mesmo grandioso ato salvador, Deus conquistou a vitória decisiva sobre Satanás, sobre a morte e sobre todos os poderes do mal, libertou-nos destes poderes e seus temores e garantiu a destruição final deles. Deus conquistou a reconciliação dos crentes consigo e de uns com outros, vencendo todas as divisões e inimizades. Através da cruz Deus também cumpriu o Seu propósito de reconciliação com toda a criação, e na ressurreição do corpo de Jesus nos deu os primeiros frutos da nova criação. “Deus em Cristo estava reconciliando consigo o mundo” [36]. Como amamos a história do Evangelho!
c) Amamos a garantia que o Evangelho dá. Somente através da confiança apenas em Cristo que somos unidos com Cristo através do Espírito Santo e somos justificados em Cristo diante de Deus. Sendo justificados pela fé, temos paz com Deus e não somos condenados. Recebemos o perdão dos nossos pecados. Nascemos de novo para uma esperança viva partilhando a vida ressurreta de Cristo. Somos adotados como co-herdeiros com Cristo. Tornamo-nos cidadãos da nação em aliança com Deus, membros da família de Deus e morada de Deus. Por isso, ao confiar em Cristo, temos plena certeza da salvação e de vida eterna, porque nossa salvação depende não de nós mesmos, mas exclusivamente da obra de Cristo e da promessa de Deus. “Nada em toda a criação pode nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” [37]. Como amamos as promessas do Evangelho!
d) Nós amamos a transformação produzida pelo Evangelho. O Evangelho é o poder transformador de vida dado por Deus que opera no mundo. “É o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” [38]. A fé é o único meio pelo qual as bênçãos de Deus e as garantias do Evangelho são recebidas. Entretanto, a fé salvadora nunca permanece só, mas necessariamente se mostra em obediência. A obediência cristã é “a fé manifestada através do amor” [39]. Não somos salvos pelas boas obras, mas tendo sido salvos somente pela graça, somos “criados em Cristo Jesus para fazermos boas obras” [40]. “A fé propriamente dita, se não for acompanhada de obras, está morta” [41]. Paulo viu a transformação ética que o Evangelho produz como a obra da graça de Deus, graça que conquistou a nossa salvação na primeira vinda de Cristo, e graça que nos ensina a viver com ética, à luz da Sua segunda vinda [42]. Para Paulo “obedecer ao Evangelho” significava confiar na graça e depois ser ensinado através da graça[43]. O objetivo missional de Paulo era gerar “a obediência que vem pela fé” entre todas as nações[44]. Esta forte linguagem de aliança nos remete à Abraão. Abraão creu na promessa de Deus, o que lhe foi creditado por justiça, e depois obedeceu ao mandamento de Deus em demonstração da sua fé. “Pela fé Abraão... obedeceu” [45]. Arrependimento e fé em Jesus Cristo são os primeiros atos de obediência exigidos pelo Evangelho; obediência contínua aos mandamentos de Deus é o modo de vida capacitado pela fé do Evangelho, através do Espírito Santo santificador[46]. A obediência é, portanto, a prova viva da fé salvadora e o seu fruto vivo. A obediência também é o teste do nosso amor por Jesus. “Quem tem os meus mandamentos e lhes obedece, esse é o que me ama” [47]. “Sabemos que o conhecemos, se obedecemos aos seus mandamentos” [48]. Como amamos o poder do Evangelho!
O povo de Deus são aqueles de todas as eras e nações que Deus em Cristo amou, escolheu, chamou, salvou e santificou com povo Seu, para partilhar na glória de Cristo como cidadãos da nova criação. Como tais, a quem Deus amou de eternidade a eternidade, por toda história marcada por turbulências e rebelião, nós recebemos o mandamento para amar uns aos outros. Porque, “visto que Deus assim nos amou, nós também devemos amar uns aos outros”, e, portanto, “ser imitadores de Deus... e viver em amor, como também Cristo nos amou e Se entregou por nós”. Amar uns aos outros na família de Deus não é simplesmente um opção desejável, mas um mandamento do qual não podemos escapar. Este amor é a primeira evidência da obediência ao Evangelho, e a força propulsora da missão no mundo [49].
a) O amor exige Unidade. O mandamento de Jesus para que Seus discípulos amem uns aos outros está relacionado à oração para que eles sejam um. Tanto este mandamento como a oração são missionais, “com isso todos saberão que vocês são meus discípulos”, e “para que o mundo creia que tu [o Pai] me enviaste” [50]. A marca mais convincente da verdade do Evangelho é a unidade em amor dos cristãos, superando as divisões crônicas do mundo: barreiras de raça, de cor, classes sociais, privilégios econômicos ou partidarismo político. Entretanto, poucas coisas destroem mais nosso testemunho do que a presença e ampliação destas mesmas divisões no meio cristão.
Nós confessamos que não derrubamos todas as barreiras. Entre elas, uma que nos causa profunda perturbação são os contrastes escandalosos de desigualdade material dentro do corpo de Cristo. Esta desigualdade nega a instrução e aspiração de Paulo de que haja mutualidade e suficiência para todos[51]. Condenamos a competitividade e a rivalidade que, às vezes, chega a envenenar nosso zelo pela missão. Rejeitamos o desequilíbrio de recursos disponíveis para missões em diferentes partes da igreja mundial. Buscamos com urgência um novo equilíbrio global enraizado em profundo amor e na parceria humilde dentro do corpo de Cristo em todos os continentes. A razão desta busca não visa apenas o amor de uns pelos outros que vai além das palavras, mas também o nome de Cristo e a missão de Deus em todo o mundo.
b) O amor exige Honestidade. O amor fala a verdade com graça. Ninguém amou mais o povo de Deus do que os profetas de Israel e o próprio Jesus. Ao mesmo tempo, ninguém os confrontou com mais honestidade sobre a verdade do erro, da idolatria e da rebelião deles contra a aliança com o Senhor. Ao fazer isto, chamaram o povo de Deus ao arrependimento, para que fossem perdoados e restaurados para o serviço na missão de Deus. A mesma voz de amor profético deve ser ouvida hoje pelas mesmas razões.
Esta amorosa honestidade clama para que voltemos arrependidos à humildade, integridade e simplicidade sacrificial de quem teme a Deus. Devemos renunciar às idolatrias da arrogância, do sucesso manipulado e da ganância consumista que seduz a tantos de nós e de nossos líderes. Nosso amor pela igreja de Deus sofre com tristeza por causa da feiúra entre nós que desfigura a face do nosso querido Senhor Jesus Cristo e que esconde Sua beleza do mundo – mundo este que precisa desesperadamente ser atraído a Ele.
c) O amor exige Solidariedade. Amar uns aos outros inclui principalmente cuidar dos que estão sendo perseguidos e estão aprisionados por causa da sua fé e testemunho. Se uma parte do corpo sofre, todas sofrem com ele. Todos nós somos, como João, “irmãos e companheiros no sofrimento, no Reino e na perseverança em Jesus” [52].
Nós confessamos que nem sempre temos demonstrado amor e solidariedade para com nossos irmãos e irmãs perseguidos, e que estamos mais preocupados com nossa própria segurança. Firmamos nosso compromisso de compartilhar do sofrimento dos membros do corpo de Cristo em todo o mundo, através de informação, oração, defesa e outros meios de apoio. Entendemos que este compartilhar, no entanto, não é um simples ato de piedade, mas um desejo profundo de também aprender o que a igreja sofredora pode ensinar e dar às partes do corpo de Cristo que não enfrentam o mesmo sofrimento. Somos advertidos que a igreja que se sente tranquila e auto-suficiente, como a de Laodicéia, pode ser a que Jesus considera a mais cega quanto à sua própria pobreza e na qual Ele próprio se sente um estranho[53].
Jesus chama todos os Seus discípulos para a união como uma única família entre as nações, uma comunidade reconciliada, na qual as barreiras do pecado sejam derrubadas pela Sua graça reconciliadora. Esta igreja é uma comunidade de graça, obediência e amor, em comunhão com o Espírito Santo, na qual os gloriosos atributos de Deus e as características da graça de Cristo são refletidos, e a sabedoria multiforme de Deus é manifestada. Como a mais vívida expressão do reino de Deus hoje, a igreja é a comunidade dos reconciliados, que não vivem mais para si mesmos, mas para o Salvador que os amou e se entregou em seu favor.
Firmamos nosso compromisso com a missão mundial, porque ela é essencial para nosso entendimento de Deus, da Bíblia, da igreja, da história humana e do futuro final. Toda a Bíblia revela a missão de Deus de convergir a Cristo, todas as coisas no céu e na terra, reconciliando-as através do sangue da Sua cruz. Ao cumprir Sua missão, Deus transformará em uma nova criação a criação destruída pelo pecado e pelo mal, na qual não exista pecado nem maldição. Deus cumprirá Sua promessa a Abraão, de abençoar todas as nações da terra, através do Evangelho de Jesus, o Messias, a semente de Abraão. Deus transformará todas as nações, tribos e línguas do mundo fragmentado sob o julgamento de Deus em uma nova humanidade, redimida pelo sangue de Cristo para adorar nosso Deus e Salvador. Deus destruirá o reino da morte, corrupção e violência quando Cristo voltar para estabelecer Seu reino eterno de vida, justiça e paz. Depois, Deus, Emanuel, habitará conosco, e o reino do mundo se tornará o Reino do nosso Senhor e de Cristo e Ele reinará para todo o sempre[54].
a) Nossa participação na missão de Deus. Deus chama Seu povo para partilhar Sua missão. A igreja de todas as nações está em continuidade, através do Messias Jesus, com o povo de Deus do Velho Testamento. Com eles fomos chamados através de Abraão e comissionados para ser bênção e luz para as nações. Com eles, somos moldados e ensinados através da Lei e dos Profetas para ser uma comunidade de santidade, compaixão e justiça em um mundo de pecado e sofrimento. Fomos redimidos através da cruz e ressurreição de Jesus Cristo e capacitados pelo Espírito Santo para dar testemunho do que Deus fez em Cristo. A igreja existe para adorar e glorificar a Deus por toda a eternidade e participar da missão transformadora de Deus na história. Nossa missão deriva totalmente da missão de Deus, dirigida a toda a criação de Deus e está embasada na vitória redentora da cruz. Este é o povo ao qual pertencemos, cuja fé confessamos e cuja missão partilhamos.
b) O custo da nossa missão. Jesus deu exemplo do que ensinou, que o maior amor é dar a vida pelos seus amigos[55]. Referindo-se a Ele mesmo e a seus discípulos disse: “se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, continuará ele só. Mas se morrer, dará muito fruto” [56]. A maioria de nós não será chamada para entregar a vida por amor a Cristo, mas o sofrimento é uma forma de engajamento missionário como testemunhas de Cristo, como foi para os apóstolos e profetas do Velho Testamento[57]. Estar disposto a sofrer é um teste decisivo da genuinidade da nossa missão. Deus pode usar o sofrimento, a perseguição e o martírio para avançar sua missão. “O martírio é uma forma de testemunho para o qual Cristo prometeu honra especial” [58].
c) A integridade da nossa missão. A fonte de toda nossa missão é o que Deus fez em Cristo para a redenção de todo mundo, conforme revelado na Bíblia. Nossa tarefa evangelística é fazer as boas novas conhecidas para todas as nações. O contexto de toda a nossa missão é o mundo no qual vivemos, o mundo do pecado, sofrimento, injustiça e desordem criacional, para o qual Deus nos envia para amar e servir por amor a Cristo. Toda nossa missão deve, portanto, refletir a integração do evangelismo e o engajamento compromissado no mundo, sendo ordenado e dirigido pela revelação bíblica do Evangelho de Deus.
“Evangelização propriamente dita é a proclamação do Cristo bíblico e histórico como Salvador e Senhor, com o intuito de persuadir as pessoas a virem a ele pessoalmente e, assim, se reconciliarem com Deus...Os resultados da evangelização incluem a obediência a Cristo, o ingresso em sua igreja e um serviço responsável no mundo...Afirmamos que a evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. Pois ambos são necessárias expressões de nossas doutrinas acerca de Deus e do homem, de nosso amor por nosso próximo e de nossa obediência a Jesus Cristo...A salvação que alegamos possuir deve estar nos transformando na totalidade de nossas responsabilidades pessoais e sociais. A fé sem obras é morta” [59].
“Missão integral é a proclamação e a demonstração do Evangelho. Não significa simplesmente que o evangelismo e o envolvimento social tenham que ser realizados simultaneamente. Na missão integral, nossa proclamação tem consequências sociais quando convocamos as pessoas ao amor e ao arrependimento em todas as áreas da vida. Nosso compromisso social tem consequências para a evangelização quando damos testemunho da graça transformadora de Jesus Cristo. Se ignoramos o mundo, traímos a palavra de Deus, que nos envia para servir o mundo. Se ignoramos a palavra de Deus, não temos nada para oferecer ao mundo” [60].
Firmamos nosso compromisso com o exercício dinâmico e integral de todas as dimensões da missão para a qual Deus chama toda Sua igreja.
Em resposta ao amor irrestrito de Deus por nós em Cristo, e por causa do nosso amor por Ele, reconsagramos nossas vidas, com a ajuda do Espírito Santo, para obedecer integralmente aos mandamentos de Deus,com abnegadas humildade, alegria e coragem. Renovamos esta aliança com o Senhor que amamos porque Ele nos amou primeiro.
SEGUNDA PARTE
Para o Mundo em que Servimos :
O Nosso Compromisso de Agir
Esta segunda parte do Compromisso da Cidade do Cabo incluirá chamados específicos e resoluções gerados pelos participantes do Congresso e do GlobaLink.
A declaração completa, com duas partes, será publicada no final de novembro e estará disponível para download gratuíto no site Lausanne, www.lausanne.org, e no site da Aliança Evangélica Mundial, www.worldevangelicals.org. Esta versão final pode ser utilizada na forma impressa ou digital por qualquer agência ou igreja. Não é necessário solicitar permissão. Por favor, inclua direitos autorais: Movimento Lausanne.
Este documento também será publicado na série The Didasko Files, na edição do final de janeiro de 2011. Haverá desconto para igrejas que comprarem em grande quantidade.
Distribuidores podem acessar www.lausanne.org/books para mais detalhes e www.didaskofiles.com para visualizar o formato desta edição e direitos de publicação.
Cidade do Cabo
Outubro, 2010
Sinclair Ferguson (UK/USA) Chairman
Rose Dowsett (UK)
Ajith Fernando (Sri Lanka)
Atef Gendy (Egypt)
Manfred Grellert (Brazil)
Peter Kuzmic (Croatia/USA)
Archbishop Peter Jensen (Australia)
Esther Mombo (Kenya)
Victor Nakah (Zimbabwe)
Las Newman (Jamaica)
John Piper (USA)
Yusufu Turaki (Nigeria)
Chris Wright (UK) Chief Recorder
Carver Yu (Hong Kong)
Senior representatives from the World Evangelical Alliance (WEA), and from the Congress Programme Committee, the Communications Working Group and the Strategy Working Group were in attendance.
Chris Wright was invited by this group to bring the statement to completion, working with a smaller team. To this team of Rose Dowsett, Ajith Fernando, Victor Nakah and Las Newman were added Valdir Steuernagel (Brazil), Rosalee Velloso Ewell (Brazil), Greg Parsons (USA) and Tormod Engelsviken (Norway).
© The Lausanne Movement 2010
[1] Gl 5:6; Jo 14:21; 1Jo 4:9, 19
[2] Mt 22:37-40; Rm 13:8-10; Gl 5:22; 1Pe 1:22; 1Jo 3:14; 4:7-21; Jo 13:34-35; Jo 1:18 + 1Jo 4:12; 1Ts 1:3; 1 Cor. 13:8, 13
[3] Dt 7:7-9; Os 2:19-20; 11:1; Sl 103; 145:9, 13, 17; Gl 2:20; Dt 10:12-19
[4] Dt 6:4-5; Mt 22:37; Lv 19: 18, 34; Mt 5:43-45; Jo 15:12; Ef 4:32; Jo 3:16-17
[5] Rm 5:5; 2Co 5:14; Ap 2:4
[6] Dt 4:35, 39;Sl 33:6-9; Jr 10:10-12; Dt 10:14; Is 40:22-24;Sl 33:10-11, 13-15;Sl 96:10-13;Sl 36:6; Is 45:22
[7] Dt 4 e 6
[8] John Stott, The Message of Romans, The Bible Speaks Today (Leicester and Downers Grove: Intervarsity Press), 53 (tradução livre do inglês para o português do texto citado. No Brasil, A Mensagem de Romanos, ed ABU)
[9]Sl 138:2
[10] Jo 14:6; Rm 8:14-15; Mt 6:9; Jo 14:21-23.
[11] Dt 32:6, 18; 1:31; 8:5; Is 1:2; Ml 1:6; Jr 3:4, 19; 31:9; Os 11:2;Sl 103:13; Is 63:16; 64:8-9.
[12] Jo 3:16; 1Jo 3:1; Rm 8:32; Hb 9:14; Gl 2:20; Gl 1:4-5.
[13] Mt 5:9, 16, 43-48; 6:4, 6, 14-15, 18, 25-32; 7:21-23.
[14] Jo 1:3; 1 Cor. 8:4-6; Hb 1:2; Cl 1:15-17;Sl 110:1; Mc 14:61-64; Ef 1:20-23; Ap 1:5; 3:14; 5:9-10; Rm 2:16; 2Ts 1:5-10; 2Co 5:10; Rm 14:9-12; Mt 1:21; Lc 2:30; At 4:12; 15:11; Rm 10:9; Tt 2:13; Hb 2:10; 5:9; 7:25; Ap 7:10
[15] Lc 6:46; 1Jo 2:3-6; Mt 7:21-23
[16] Mt 16:16; Jo 20:28; 1Pe 1:8; 1Jo 3:1-3; Atos 4:12
[17] Gn 1:1-2;Sl 104:27-30; Jó 33:4; Ex. 35:30-36:1; Jdg. 3:10; 6:34; 13:25; Num. 11:16-17, 29; Is 63:11-14; 2Pe 1:20-21; Mic. 3:8; Neh. 9:20, 30; Zech. 7:7-12; Is 11:1-5; 42:1-7; 61:1-3; 32:15-18; Ezek. 36:25-27; 37:1-14; Joel 2:28-32
[18] Atos 2; Gl 5:22-23; 1Pe 1:2; Ef 4:3-6; 1 Cor. 12:4-11; Jo 20:21-22; 14:16-17, 25-26; 16:12-15; Rm 8:26-27; Ef 6:10-18; Mt 10:17-20; Lc 21:15.
[19]Sl 119:47, 97; 2Tm 3:16-17; 2Pe 1:21
[20] Dt 30:14; Mt 7:21-27; Lc 6:46; Tg 1:22-24
[21] Manifesto de Manila, parágrafo 7; Tt 2:9-10
[22]Sl 145:9, 13, 17;Sl 104:27-30;Sl 50:6; Mc 16:15; Cl 1:23; Mt 28:17-20; Hc 2:14.
[23]Sl 24:1; Dt 10:14;
[24] Cl 1:15-20; Hb 1:2-3
[25] Atos 17:26; Dt 32:8; Gn 10:31-32; 12:3; Ap 7:9-10; Ap 21:24-27
[26] Atos 10:35; 14:17; 17:27
[27] Ps 145:9, 13, 17; 147:7-9; Dt 10:17-18
[28] Gn 18:19; Ex. 23:6-9; Dt 16:18-20; Jó 29:7-17; Ps 72:4, 12-14; 82; Pv 31:4-9; Jr 22:1-3; Dn 4:27
[29] Ex. 22:21-27; Lv 19:33-34; Dt 10:18-19; 15:7-11; Is 1:16-17; 58:6-9; Amos 5:11-15, 21-24;Sl 112; Jó 31:13-23; Pv 14:31; 19:17; 29:7; Mt 25:31-46; Lc 14:12-14; Gl 2:10; 2Co 8-9; Rm 15:25-27; 1Tm 6:17-19; Tg 1:27; 2:14-17; 1Jo 3:16-18.
[30] Pacto de Lausanne, Parágrafo 5.
[31] Lv 19:34; Mt 5:43-4
[32] Mt 5:38-39; Lc 6:27-29; 23:34; Rm 12:17-21; 1Pe 3:18-23; 4:12-16.
[33] Rm 13:4
[34] 1Jo 2:15-17
[35] Gn 3; 2Ts 1:9
[36] Mc 1:1, 14-15; Rm 1:1-4; Rm 4; 1 Cor. 15:3-5; 1Pe 2:24; Cl 2:15; Hb 2:14-15; Ef 2:14-18; Cl 1:20; 2Co 5:19
[37] Rm 4; Phil. 3:1-11; Rm 5:1-2; 8:1-4; Ef 1:7; Cl 1:13-14; 1Pe 1:3; Gl 3:26-4:7; Ef 2:19-22; Jo 20:30-31; 1Jo 5:12-13; Rm 8:31-39
[38] Rm 1:16
[39] Gl 5:6;
[40] Ef 2:10
[41] Tg 2:17
[42] Tt 2:11-14
[43] Rm 15:18-19; 16:19; 2Co 9:13;
[44] Rm 1:5; 16:26
[45] Gn 15:6; Gl 6:6-9; Hb 11:8; Gn 22:15-18; Tg 2:20-24
[46] Rm 8:4
[47] Jo 14:21
[48] 1Jo 2:3.
[49] 2Ts 2:13-14; 1Jo 4:11; Ef 5:2; 1Ts 1:3; 4:9-10; Jo 13:35
[50] Jo 13:34-35; 17:21
[51] 2Co 8:13-15
[52] Hb 13:1-3; 1 Cor 12:26; Ap 1:9
[53] Ap 3:17-20.
[54] Ef 1:9-10; Cl 1:20; Gn 1-12; Ap 21-22.
[55] Jo 15:13; 1Jo 3:16.
[56] Jo 12:24-25
[57] 2Co 12:9-10; 4:7-10
[58] Manifesto de Manila, §12.
[59] Pacto de Lausanne, parágrafos 4 e 5.
[60] Declaração Miquéias sobre Missão Integral - www.micahnetwork.org/pt/page/declaração-miquéias-sobre-missão-integral
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Palavras-chave: COMPROMISSO DA CIDADE DO CABO
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Estados Unidos
Note that the end of the Cape Town Commitment promises that at the end of November Part 2 will be available. I searched and could not locate it at the Lausanne dot org site or the WEA site. And today is December 6.
I look forward to reading Part 2 soon.
06.12.2010
Reino Unido
@ FellowPilgrim:
FellowPilgrim - good suggestion re an oral version. Lausanne relies on volunteers to follow up these sorts of suggestions - do you know who could provide such a version, in any of the languages?
And part 2 is being worked on: for the globally drawn team of theologians to draw together an accurate reflection of the many tracks during the Congress, in a clear readable part 2, has taken a bit longer than anticipated. We all await it eagerly, anticipating using it in our churches and ministries! It’ll be splashed up on the website when it’s complete and online, so keep checking there. Thanks!
05.01.2011
Estados Unidos
I suggest that an oral version of Part 1 and Part 2 of the Cape Town Commitment be made available soon in various languages.
06.12.2010
Brasil
Cape Town 2010 foi um congresso que marcou muitas vidas e, certamente marcará a igreja em todo o mundo. Aqui no Brasil temos realizado encontros em várias cidades dando o relatório do que representou o congresso para cada um de nós, ali presentes, e de como esse conteúdo pode se alastrar por toda a igreja brasileira.
Gostaria de saber da organização se é possível disponibilizar esta declaração em PDF também para as demais línguas. Não temos conseguido abrir o arquivo PDF em português. Facilitaria a nossa divulgação.
Em Cristo.
17.11.2010
Argentina
Damos gracias a Dios por este documento y compromiso. Nos proyectamos con esperanza con la Gracia de Dios de poder ser fieles para su Gloria y Honra.
27.10.2010
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