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Artigo

Mobilizando a Igreja Local para Transformações Sociais

Autor: Sergio Lyra
Data: 14.08.2010
Category: Missões nos Centros Urbanos

Classificação (1)
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Publicado originalmente em Português

Nos últimos 50 anos de história evangélica brasileira, parece ter havido uma forte polarização entre igrejas que se envolvem e desenvolvem projetos sociais e igrejas que projetam e implementam estratégias de evangelização. Por algumas décadas prevaleceram as propostas evangelísticas, em particular as campanhas de evangelização em massa e localmente, as cruzadas e eventos evangelísticos (termo que julgo o mais impróprio possível). É notório que o congresso de Lausanne em 1974 trouxe um novo marco de ação, principalmente no que diz respeito a responsabilidade social da igreja. A partir de então, nitidamente pode-se notar uma mudança nos pratos da balança, refletindo mais peso nas ações sociais da igreja. Entretanto, o que me chama a atenção é que tal a tendência não foi a iniciativa de igrejas locais, mas a proeminência e o surgimento de agência para-eclesiásticas que passaram a ter o apoio da igrejas nos seus projetos sociais. Não desejo fazer a proposta de inadequabilidade missionária das agências para-eclesiáticas, entretanto, biblicamente falando, a missão é da igreja, e por hipótese alguma poderá ser terceirizada. Para dirimir dúvidas e melhor compreendermos a base teológica que deve fundamentar qualquer proposta missionária sadia, precisamos nos voltar sempre para as Sagradas Escrituras e a partir delas extrairmos a motivação, a sustentação e delimitação de nossas ações. Considerando ainda a questão da igreja local como comunidade a ser mobilizada, muitas vertentes e afluentes precisariam ser analisados. Na minha reflexão, não me deterei nos aspectos denominacionais, nem nos sistemas de governo eclesiásticos que atuam missionariamente. Opto por trilhar na proposta de igreja local mais inclusiva, ou seja, uma comunidade de crentes em Jesus que se reúnem regularmente e buscam ser fiéis praticantes das verdades reveladas nas Escrituras.

1. Polarizações da dicotomia missionária

                Ao longo da história, posições extremadas e afastadas das bases bíblicas colocaram as ações missionárias da igreja em situações conflitantes. Para uns, planejar e fazer ação social era desprezar os valores eternos e praticar o evangelho social, o qual valoriza o material, as soluções para a miserabilidade, o investimento na dignidade e no ser humano como pessoa. Para outros, pensar só na salvação da alma seria descaracterizar o ser humano e criar uma capa esclerosada contra a desgraça e sofrimentos alheios, prometendo um céu sem olhar para a terra. Essa polarização gerou conceitos errados que ainda perduram na mente de muitos cristãos modernos e que precisam urgentemente de transformação.

Conceito equivocado de missão (Missio Dei)

Logo de início, devemos sempre entender que a missão é de Deus. Ele é o Senhor soberano das missões. Ele enviou seu Filho como missionário. Ele chamou, capacitou e enviou seus servos e servas para a missão e ainda age da mesma forma. E mais, sendo a missão de Deus, os moldes missionários são estabelecidos por Ele. Daí porque Jesus ter afirmado “Assim como o Pai me enviou ao mundo, eu envio vocês.” (João 17.18). Isto nos faz voltar para as verdades reveladas na Bíblia, para delas pautar toda e qualquer ação missionária, pois o que a igreja fizer, precisa ser a missão que Deus quer realizar através dela.

Palavras-chave: ação social; missiologia, cidades, evangelização, agências, boas obras, pobres; barracos; igreja local

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Tradução Automática:
PhContributeBy
Responder Bandeira 0 Gostou Não Gostou SergioLyra (7)  
Brasil

Prezada Irmã Sherry,

Obrigado pelo seu incentivo. Sei que estou levantando um assunto que parece desvalorizar o esforço missionário daqueles que se foram chamados para lugares distantes ou das agências para-eclesiásticas.  Deixe-me lhe explicar por partes.

Todos crentes são missionários - A verdade bíblica é que a missão é Deus, o qual a deu ao Seu Filho Jesus Cristo e este comissionou A IGREJA, e não apenas alguns da igreja. Por causa desta distorção centenária e restritiva de conceito, concedendo aqueles que iam para lugares distantes a designação de missionário, criou-se a idéia absurda de que o “crente comum” não tem missão, nem é missionário. A missão não pode ser qualificada por questão geográfica ou mesmo por dificuldades e sim pelo seu propósito: Ir e pregar a salvação em Jesus em TODOS OS LUGARES. Destaco que a igreja de Jerusalém (cerca de 120 pessoas – At. 1.15;2.1) esperava  o revestimento do poder para testemunhar (At 1.8 perto-Jerusalém e Judéia, longe-Samaria e muito longe-confins). Foi a igreja de Jerusalém a comunidade missionária  que pregou localmente (At 2), foi a igreja que pregou em Samaria (At 8) e em Antioquia (At 10). Assim, precisamos reconhecer que por mais árdua que seja a tarefa de quem é chamado para pregar o evangelho em lugares distantes, o preço que foi pago por Jesus para salvar uma pessoa que vive a 1km da igreja, foi o mesmo para quem vive a 10.000km. E mais, as duas vidas são igualmente importantes e a exigência divina para salvação é exatamente a mesma: pregar-ouvir-crer. Para desenvolver mais esta posição bíblica, recomendo a leitura dos livros: Povo missionário, povo de Deus de Charles van Engen; e A Natureza Missionária da Igreja de Johannes Blauwn.

A Igreja é a agência missionária de Deus – A minha afirmação reflete a verdade que apenas a igreja, nos moldes como é biblicamente definida, é a agência divinamente chamada e instituída para realizar a missão. A inércia missionária do povo de Deus como igreja, desqualificou, mas não totalmente, muitas igrejas locais como celeiros de ações missionárias, levando-as a financiarem missões através de para-eclsiásticas, ao invés de fazerem as missões que o Espírito Santo lhes concedia. Note que refiro-me aqui a uma ação inadequada da igreja, e não do missionário, tornando-o fora do ideal divino. Você há de concordar que uma organização missionária não é igreja, uma vez que ela mesma se declara para-eclesiástica! Contudo, sua proposta de ser não deve ser considerada anti-bíblica. Defendo a idéia de organizações de ajuda. Em termos claros: Um sistema de ajuda para quem tem dificuldade de locomoção é uma boa ajuda, todavia, andar com suas próprias pernas é o melhor e o ideal.

Acredito que o assunto merece muito mais reflexão e eu entendo o por quê do seu questionamento. Pelo fato de não termos igrejas locais efetivamente missionárias, cristalizou-se as ajudas como suficiente e em alguns casos, indispensáveis.

Deus abençoe a sua dedicação ao Senhor, sabendo que tudo que fizermos para o Senhor não será em vão.


17.08.2010
PhContributeBy
Responder Bandeira 0 Gostou Não Gostou Sherry_L_Hauter (1)
Brasil
@ SergioLyra:

Caro Pastor Sérgio, Vc conhece os quatro livros Missões Transculturais editorado por Ralph D. Winter e Steven C. Hawthorne, que agora é um livro só Perspectivas no movimento cristão mundial?  No volume ou parte Perspectiva Histórica, há um capítulo chamado As duas estruturas da missão redentora de Deus, por Ralph Winter mesmo.  Eu acho que a maneira que ele explica este assunto muito interessante, e queria saber se vc concorda com ele.  Uma das matérias que leciono é História da Igreja e uma das aulas dedico a este assunto.  Obrigada por sua atenção!  Sherry


 


17.08.2010
PhContributeBy
Responder Bandeira 0 Gostou Não Gostou Sherry_L_Hauter (1)
Brasil
@ SergioLyra:

Pastor Sérgio, queria dizer também que concordo plenamente contigo em que todos os membros da igreja devem estar envolvidos na missão da igreja, e que assim, todos poderiam ser chamados de "missionários".  Sherry


 


17.08.2010
PhContributeBy
Responder Bandeira 0 Gostou Não Gostou Lissander_Dias (0)  
Brasil

Caro Pr. Sérgio,

Eu estive no V Encontro RENAS. Foi muito bom ouvi-lo. Este artigo é o mesmo conteúdo da palestra dada na sexta?

Grande abraço!

Lissânder Dias


17.08.2010
PhContributeBy
Responder Bandeira 0 Gostou Não Gostou Sherry_L_Hauter (1)
Brasil

Pastor, gostei do seu artigo.  Concordei com uma boa parte.  Gostei das ideias práticas que deu para envolver a igreja local em missãos entre os pobres através do exemplo de sua própria igreja.  Sou missionária em Petrolina e professora do Seminário Betânia aqui.  Não sei se entendi corretamente a parte onde falou que na igreja foi pedido que os missionários ficassem de pé e um número pequeno o fez.  O senhor achava que todos deveriam ter se levantado por serem todos envolvidos na missão da igreja?  Só penso que se todos são missionários então ninguém o é no sentido clássico do termo.  Ou teríamos de dar outro nome para os que são enviados pela igreja para terras distantes para levar o evangelho para outros povos.  Talvez você já desenvolveu algo sobre isso.  Outra coisa que pensei ao ler seu trabalho, parece que vc considera menos que o ideal quando pessoas fazem a obra do Senhor fora da igreja local, isto é, como parte de uma organização paraeclesiástica.  Eu entendi isso corretamente?

Obrigada por sua dedicação à missão da ireja!

Sherry Hauter


16.08.2010

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